sábado, 4 de dezembro de 2010

Quem escreveu isto?

Porque em que diabo pode vir a dar uma nação de parvos, de antipatriotas e de panofóbicos senão em deixar de ser nação ?

Não foi seguramente a actual Ministra da Educação nem outros quejandos mestres do ensino pueril, meros escrevedores de teorias babadas!...

Foi Fernando Pessoa numa crítica a Lopes Vieira.

Eis o texto:

NAUFRÁGIO DE BARTOLOMEU

Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças. Escrever de cousas simples com simplicidade é quanto se exige daquela espécie de adido à pedagogia que o Sr. Lopes Vieira quer ser. Assim, João de Deus não escreveu a «Enjeitadinha» senão com o escrúpulo de ser simples. E porque o assunto era também simples, as crianças compreendem-o. Se quisesse ser infantil, acontecia-lhe isto — seria infantil . O Sr. Lopes Vieira quer escrever para crianças mediante intuição da alma infantil, como uma criança, escrevendo para crianças. Mesmo que se saísse bem disto, não se saía bem disto. Porque as crianças não escrevem.
Escrever como uma criança, é tolerável sendo criança, porque o ser criança o torna tolerável. Mas o que uma criança escreve ou não se publica ou se publica para adultos, psicólogos. E que interesse tem para crianças esta baba pedagógica? Que interesse há para adultos nesta tradução para verso do estilo do Sr. Nunes da Mata? Que interesse fica, para psicólogos desta pobreza de senso comum, obediência aos elogios de parvos ou videiros e casta abstenção das voluptuosidades de pensar e criar-arte, do S. Francisco de Assis da Livraria Ferreira?
Salvo no caso dum génio supremo, com chave para todas as portas da expressão, o querer ser simples dá com o querente na vizinhança de quem querser sublime. Este dá consigo em absurdo. Aquele escorrega-se para idiota. É este, ao que parece, o trágico fim cómico de quem foi o autor do «Ar Livre» e de «O Poeta Saudade». Como estes fenómenos de combustão-em-asneira encontrassem uma atmosfera de elogios propícia, a chama aumentou até vir queimar a crítica para fora da indiferença. Esse fenómeno de elogios — esse sim é que era merecedor de uma análise de química psicológica.
A fama que o Sr. Lopes Vieira tem, ex-ganhou-a dignamente, porque foi com uma obra bela, e por vezes grande que se enfameceu. Foi com moeda de lei que adquiriu o incenso com que se estonteou. Como muitos outros, e em parte pela mesma razão turibular, criou fama e deitou-se a dormir. E visto que estes livros para crianças e parte de outros, recentes, são o seu sono, bem se pode dizer que dorme como uma besta. Mas voltemos, acusadoramente, ao caso. O Sr. Lopes Vieira é um criminoso. É-o por três razões. Está estragando, com o seu gato-por-lebre de simplicidade, o rudimentar senso estético de crianças, que, mesmo que sejam só duas, são classificáveis de inúmeras, ante o horror do crime.—Está tornando ridículos assuntos que conviria tratar com uma decência que a estupidez, mesmo quando involuntária, nunca tem. Pobres cães nossos amigos tinhosos de Lopes Vieira. Pobre Bartolomeu Dias, tão embobecido de pedagogias! — E, por último, para tudo de nocivo ser, o Sr. Lopes Vieira é até antipedagógico, porque quem escreve Que era de antes o mar? Um quarto escuro Onde os meninos tinham medo de ir merece uma inquisição de professores. Educados na estupidez pela leitura das obras infantis do Sr. Lopes Vieira, levados ao antipatriotismo pelo inevitável desdém que um livro como o «Bartolomeu Marinheiro»leva a ter pelo navegador que ali aparece vestido de bebé de Carnaval, cheios de fobias por lhes terem sido metaforizadas na infância cousas como que um quarto escuro é logicamente terrível, os homens de Portugal de amanhã (adoptados escolarmente, como tudo o que dizemos neste artigo leva a crer que sejam, os livros do Sr. Lopes Vieira) terão por Shakespeare o Sr. Júlio Dantas, por Shelley o Sr. Lopes Vieira. . . e serão espanhóis.
Porque em que diabo pode vir a dar uma nação de parvos, de antipatriotas e de panofóbicos senão em deixar de ser nação?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Oportunistas...

Ontem comemoraram-se, mais ou menos por todo o rectângulo, os 100 anos do 5 de Outubro...
Nos dias de hoje, comemora-se um evento que foi motivado pela crise em que o país mergulhou e que ainda hoje persiste, agarrada como uma lapa ao povo sacrificado, que muitas vezes é o verdadeiro culpado, pois elege para o poder quem, apesar das promessas, não a resolve, não a erradica, umas vezes por conveniência outras por ignorância.
Mas, é triste ver que os chamados políticos se comportam como tal, exactamente porque manejam a seu bel-prazer a crise (ou as crises).
E o mais espantoso é que esses ditos políticos (de hoje) aparecem como se fossem os continuadores daqueles que ao tempo procuraram resolver o problema do país, tão exemplarmente expresso por Antero de Quental anos antes (bem antes) da implantação da República.
Que desfaçatez... ver/ouvir "personalidades" que apregoam os valores daquela época, como se os tivessem por guia nas suas actividades.
Só um exemplo: andam a inaugurar escolas restauradas, como se elas fossem um exemplo da continuação da educação/instrução encetada pelo regime republicano (foi este o discurso de Sócrates e de outros pequenotes seguidores, como o "Mesquita da Câmara").
Esquecem-se que a qualificação daquela altura era bem mais positiva, pois os republicanos (os verdadeiros)começaram a inaugurar LICEUS e ESCOLAS PROFISSIONAIS.
Estas, foram um baluarte para o ensino de uma profissão aos jovens, de tal maneira que estes saíam para a labuta da vida (struggle for life) já com conhecimentos bastantes para exercer uma profissão...
O que é que vemos hoje? A massificação, escolas enormes, sem controlo e onde se ensina o quê? O que é que os jovens sabem, quando saiem da escola? Nada, porque talvez também não lhes saibam ensinar...
Enfim, um enorme edifício educativo que não serve para nada!...
Os alunos de hoje a única coisa que aprendem é dizer que está tudo na internet e que basta lá ir procurar (nem que, para isso, se gaste um dia, dois anos ou mais); que importa, o que interessa é saber se o aluno é inteligente e sabe procurar como deve ser; ou seja, com isto desenvolve-se o oportunismo, a facilidade e o espertismo, que está bem patente na acção dos nossos políticos, que também não sabem fazer o que quer que seja...
Chega por hoje!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Aviso

Procurem não comprar nada na loja de Braga da FNAC de que se arrependam. Adquiri um adaptador de TV e a devolução foi recusada pela simples razão de o dependurador da embalagem não existir...
Incrível: algo que se conseguia arranjar com recurso, p. ex., a fita cola, foi motivo para recusa!!!...
Aconteceu tb há tempos com outro aparelho, onde foi mencionado um risco que impossibilitava a devolução! Sucede que depois, na loja da Fnac de Matosinhos, o aparelho foi aceite!
Daí o aviso, porque, como o motivo encontrado é de somenos importância, nesta loja de Braga sempre encontrarão um motivo que entendem relevante para a recusa... O que é caricato e, sobretudo, lesivo do interesse do consumidor!...

domingo, 11 de abril de 2010

Significados...

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Algumas palavras que me ocorrem, que entendo estarem interligadas com muito do que se passa (ou passou?) neste país.
(Os respectivos significados são do Dicionário de Morais)

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SOFISMA

Argumento ou raciocínio falso, formulado com o fim de induzir em erro: “O sofisma nos deu a maior do raciocínio e engolipou, engargantou a menor”, Rui Barbosa, Américo Werneck v. Minas Gerais, 183; “Os teólogos sabem mil respostas,| Para sofismas tais porém aos | Do ignorante são verdades puras…”, Garrett, Dona Branca, IV, 6; “A verdade é como a semente da árvore que cantava: traiam-na com sofismas, abafem-na, releguem-na da luz, que ela rebentará fulgurante, dando a vitória à justiça e confundindo o traidor”, Coelho Neto, Apólogos, 189 || Engano, logro : “Vem dar ao rosto universal e expressão da vontade em vez do sofisma”, D. António da Costa, Cristianismo e Progresso, cap. 20, 164.


FANTASIA

Imaginação criadora; faculdade imaginativa: “Desta sorte do peito lhe desterra | Toda a suspeita e cauta fantasia”, Camões, Lusíadas, II, 6; “…criastes os peitos eloquentes | E os juízos de alta fantasia», Id., ibid., III, 13; «Além, muito além da linha plúmbea que cose o mar com o céu, Fernão tem arrumado pla-gas maravilhosas, onde a fantasia dos seus compatriotas colo-ca os reinos encobertos de Preste João”, Xavier Marques, Pin-dorama, I, cap. 2, 13; “O que, porém, se não vê na pianística de Chopin é a desordenada fantasia de certas composições hodiernas», Aloísio de Castro, i8. || Ficção, obra sem realidade, puramente ideal. || Espírito, pensamento, ideia, mente: “Saí de minha casa, com a fantasia arrobada de delícias”, Camilo, Cenas da Foz, 61, 4º. Ed.;… || Capricho, vontade, arbítrio: «Se não fora a imaginação, o boato que é a alma da mendacia, se não fora a fantasia da rua ao serviço do jornal, como viveriam as populações das grandes cidades ?», António Austregésilo, Pequenos Males, 146 ; «Ainda aqui deve contar-se com & fantasia empolada do cronista», Aquilino Ribeiro, Os Avós dos Nossos Avós, 197. || Bem imaginário que ardentemente se deseja; ideal. || Mus. Variação mais ou menos desenvolvida sobre um trecho de música ou uma ária, segundo o capricho do artista: «É verdade que o repertório pianístico, em família e para os menos lidos, se reduzia a fantasias, às vezes composi-ções deslavadas, em que só se percebia mal cerzida a frase principal de um trecho da ópera sobre qne eram fundados», Sanches de Frias, Ercilia, cap. n, 205. || Pint. Obra em que o pintor segue o seu capricho, a sua imaginação, não se sujei-tando a regras. || Tip. Designação dada a todo o carácter de letra que não seja do desenho dos tipos comuns (redondos). || Divertimento equestre de cavaleiros árabes. i.| Vestimento para disfarce faceto ou burlesco no Carnaval ou noutras festas. || Adorno ou arrebique que enfeita a parte principal de uma obra literária ou artística. 1| Marit. Espiar à fantasia, espiar um ferro ou ancorote, trazendo depois o virador ou amarra a entrar pelo escovém do navio. || Var.: fantesia e fantisia.

domingo, 28 de março de 2010

De novo o inefável BP, Medina Carreira e Eça...

Muito breve: o recente artigo do BP (em 26-03-2010) impõe, por aplicação da sua própria lógica intrínseca, que o Correio do Minho o risque com o relembrado (e para ele saudoso) lápis azul!...
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Medina Carreira mais uma vez zurziu na economia nacional e sobretudo nos economojornalistas e quejandos, como o entrevistador. Deixou expresso que não há que embandeirar em arco com o optimismo gerado pelos indicadores do 2º. trimestre quanto ao PIB... pela simples razão de que eles são fruto da intervenção do Etado nos diversos sectores, substituindo-se em grande escala aos investimentos privados, que escasseiam ou são nulos. É para estes, para o seu incentivo, que se devem voltar os olhos, sobretudo os do governo, ou governos sérios a criar - quiçá por iniciativa presidencial (o que lhe parece inexequível).
Mas... o que me impressionou foi a alusão dele ao texto do livro de Mário Soares no Portugal Amordaçado, onde refere o esfrangalhamento da situação política/partidária no regime republicano desde 1919 até ao 28 de Maio.
Desconhecia este raciocínio do autor/político.
É quase tirado a papel químico da principal propaganda do Estado Novo salazarento......
É que aquela situação que se verificou na 1ª. República tem variadissimas causas, cada uma delas com o seu peso. Em especial, a situação financeira do País depois da Grande Guerra, que gerou despesas públicas superacrescidas, a grande inflação daí resultante e também a grande juventude do regime, sujeito a reacções as mais diversas por parte de monárquicos, que apareceram até infiltrados nas hostes do Sidónio.
Mas, o que mais impressiona é que na história do Orçamento (que era, como se sabe, referente aos meses de Julho a Junho do ano seguinte), o respeitante ao ano civil de 1925-1926 (ano do 28/5) estava equilibrado.
Foi a 1ª. vez que o Orçamento apareceu com equilíbrio. E quem era o Minitro das Finanças? O Afonso Costa...
E ninguém faz alusão a isto, que deveria ser realçado por aquele autor, cujo pai foi afinal governador civil no tempo do regime que critica...
Contradições...
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Reli há pouco o crime... não posso deixar de assinalar a descrição e o pensamento do Padre acerca de Amélia: depois de dizer que tudo nela o encantava, remata com este prodigioso reparo, depois de "bater o pé" por estes "desfalecimentos": "- Que diabo, é necessário ter juízo! È necessário ser homem!" Ah, ah, ah, depois... de um comentário de homem, o padre instrospecciona-se e apela por juízo... simplesmente genial este fino humor!...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Uma palestra....

Uma palestra de meu Pai nos idos de 1972...










Uma biobibliografia...

'''OLIVEIRA BRAGA, António.'''Advogado e político, n. em Braga a 31-VII-1905, falecido em Braga em 18-II-1988. Em 1930 obteve licenciatura na Faculdade de Direito de Coimbra, após o que passou a exercer advocacia na sua cidade natal, tendo exercido antes, e durante cerca de 6 meses, as funções de Delegado do Procurador da República na mesma cidade. Ainda estudante liceal foi presidente da Academia de Braga, 1923-1924, e de 1927 a 1930 membro da Direcção do Centro Republicano Académico de Coimbra. Foi também presidente do Orfeão de Braga, presidente da delegação de Braga nos triénios de 1953 a 1959 da Ordem dos Advogados, vice-presidente da Assoiação Jurídica de Braga e desde 1963 seu presidente até ao seu falecimento. Foi membro activo do Centro Republicano Académico de Coimbra, de 1925 a 1930, advogado da Comissão Dsitrital de Braga do Movimento da Unidade Democrática (MUD), 1945, membro da comissão distrital de Braga e mandatário das candidaturas dos generais Norton de Matos, 1949, e Humberto Delgado, 1958, e designado como candidato a dedputado da Oposição à então Assembleia Nacional pelo círculo eleitoral de Braga em 1957; em 1969, foi também can didato pela CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática) em Braga (ao arrepio dos candidatos Tinoco de Faria e Cunha Coelho, que se uniram para o vetar, no que não foram seguidos p+elos demais, de entre eles o Dr. Carlos Magalhães, médico em Vieira do Minho). Aderiu em Maio de 1974 ao MFA e contribuiu activamente para a implantação do então PPD (hoje PSD) no Distrito de Braga, de onde se retirou logo em 1975, aquando do 1º., Congresso, por discordância com a orientação seguida em Braga por adeptos como Eurico de Melo. Colaborou em ''República'', ''Diário de Lisboa'', ''A Mocidade'' (órgão académico de Coimbra, de que foi subdirector), ''Scientia Ivridica'', ''Vida Mundial'', ''Diário Popular'', boletins rotários de Braga e Lisboa, e publicou: ''Crime do Monte de S. Jorge'' (minuta de recurso), 1940; ''Idealismo e Realismo no Homem de Leis'' (conferência proferida na Associação Juirídica de Braga), 1955; ''Nas Quatro "Liberdades".. de um Governo Trintenário''; ''Rotary, Política e Religião'' (tese apresentada à Conferência do Distrito Rotário Português, reunido em 1948 na Figueira da Foz); ''O Medo das Palavras'', 1972; ''Documentos Políticos'', 1974; ''Os Direitos do Homem e a Constituição'', 1978; ''Machado Vilela e a Comundade Lusíada''; ''A Questão das Taxas sobre os Vinhos Verdes'' (minuta de recurso), 1965; Uma Questão da Santa Casa da Misericórdia de Braga (minuta de recurso), 1971, etc..

terça-feira, 2 de março de 2010

Criação Teatro Académico do Liceu Sá de Miranda


Uma "relíquia" sobre o Liceu Sá de Miranda em Braga, para, quem quiser, guardar... sobretudo se tiver parente(s) na foto...