*
Medina Carreira mais uma vez zurziu na economia nacional e sobretudo nos economojornalistas e quejandos, como o entrevistador. Deixou expresso que não há que embandeirar em arco com o optimismo gerado pelos indicadores do 2º. trimestre quanto ao PIB... pela simples razão de que eles são fruto da intervenção do Etado nos diversos sectores, substituindo-se em grande escala aos investimentos privados, que escasseiam ou são nulos. É para estes, para o seu incentivo, que se devem voltar os olhos, sobretudo os do governo, ou governos sérios a criar - quiçá por iniciativa presidencial (o que lhe parece inexequível).
Mas... o que me impressionou foi a alusão dele ao texto do livro de Mário Soares no Portugal Amordaçado, onde refere o esfrangalhamento da situação política/partidária no regime republicano desde 1919 até ao 28 de Maio.
Desconhecia este raciocínio do autor/político.
É quase tirado a papel químico da principal propaganda do Estado Novo salazarento......
É que aquela situação que se verificou na 1ª. República tem variadissimas causas, cada uma delas com o seu peso. Em especial, a situação financeira do País depois da Grande Guerra, que gerou despesas públicas superacrescidas, a grande inflação daí resultante e também a grande juventude do regime, sujeito a reacções as mais diversas por parte de monárquicos, que apareceram até infiltrados nas hostes do Sidónio.
Mas, o que mais impressiona é que na história do Orçamento (que era, como se sabe, referente aos meses de Julho a Junho do ano seguinte), o respeitante ao ano civil de 1925-1926 (ano do 28/5) estava equilibrado.
Foi a 1ª. vez que o Orçamento apareceu com equilíbrio. E quem era o Minitro das Finanças? O Afonso Costa...
E ninguém faz alusão a isto, que deveria ser realçado por aquele autor, cujo pai foi afinal governador civil no tempo do regime que critica...
Contradições...
*
Reli há pouco o crime... não posso deixar de assinalar a descrição e o pensamento do Padre acerca de Amélia: depois de dizer que tudo nela o encantava, remata com este prodigioso reparo, depois de "bater o pé" por estes "desfalecimentos": "- Que diabo, é necessário ter juízo! È necessário ser homem!" Ah, ah, ah, depois... de um comentário de homem, o padre instrospecciona-se e apela por juízo... simplesmente genial este fino humor!...








