sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Medina Carreira/Mário Soares

Ontem - como deve ter sido ouvido pela generalidade das pessoas (se não, sempre há o recurso â sic online) - o Medina Carreira mais uma vez zurziu na economia nacional e sobretudo nos economojornalistas e quejandos, como o entrevistador. Deixou expresso que não há que embandeirar em arco com o optimismo gerado pelos indicadores do 2º. trimestre quanto ao PIB... pela simples razão de que eles são fruto da intervenção do Etado nos diversos sectores, substituindo-se em grande escala aos investimentos privados, que escasseiam ou são nulos. É para estes, para o seu incentivo, que se devem voltar os olhos, sobretudo os do governo, ou governos sérios a criar - quiçá por iniciativa presidencial (o que lhe parece inexequível).

Mas... o que me impressionou foi a alusão dele ao texto do livro de Mário Soares no Portugal Amordaçado, onde refere o esfrangalhamento da situação política/partidária no regime republicano desde 1919 até ao 28 de Maio.

Desconhecia este raciocínio do autor/político.
É quase tirado a papel químico da principal propaganda do Estado Novo salazarento...

Verdadeira similitude que espanta, tanto mais que provém de um dito opositor ao regime. Parece até uma afirmação de um político salazarista de Braga, que se notabilizou pelos "muito bem" ao Salazar, quando este proferia uma qualquer expressão em discurso, nem que fosse uma grande asneira.

Bem que alguém (está-se a ver quem foi...) considerou que o Mário Soares era um Santos da Cunha formado em Direito...

É que aquela situação que se verificou na 1ª. República tem variadissimas causas, cada uma delas com o seu peso. Em especial, a situação financeira do País depois da Grande Guerra, que gerou despesas públicas superacrescidas, a grande inflação daí resultante e também a grande juventude do regime, sujeito a reacções as mais diversas por parte de monárquicos, que apareceram até infiltrados nas hostes do Sidónio.
Mas, o que mais impressiona é que na história do Orçamento (que era, como se sabe, referente aos meses de Julho a Junho do ano seguinte), o respeitante ao ano civil de 1925-1926 (ano do 28/5) estava equilibrado.

Foi a 1ª. vez que o Orçamento apareceu com equilíbrio. E quem era o Minitro das Finanças? O Afonso Costa...

E ninguém faz alusão a isto, que deveria ser realçado por aquele autor, cujo pai foi afinal governador civil no tempo do regime que critica...

Contradições... Mais uma deste homem que nada de bom trouxe ao povo, a não ser para alguns que, como diz o MC, se governaram à grande e à francesa, melhor, que antes eram uns pilha-galinhas e agora nadam em notas de 500 euros...

De todo o modo , é de aplaudir a intervenção do Madina Carreira, mais uma vez sem papas na língua, frontal e directo, como se impõe.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Lamentações...

Há uma situação que me envolve e de certa forma me constrange. Sucede que tenho duas vizinhas, irmãs entre si, e que andam sempre a querer arranjar forma de se meterem no que não são chamadas. Duas irmãs verdadeiramente maldosas, para além de muito mal-criadas.
Se houvesse forma de as levar daqui, era um favor que me faziam...
Trata-se pura e simplesmente de vizinhança insuportável.
Ainda agora, arrumei o carro à frente do de uma delas e logo veio ver se tinha batido nele. Incrível, parece que está a vigiar a chegada das pessoas. Depois, as duas põem-se na rua à noite a falar alto e a gritar, daquelas discussões banais e cretinas... Um tormento!... Tanto mais que não descolam e têm dois anantes que as sustentam, ao que parece, já que não há indícios de aqueles trastes (para ser brando!) os sustentarem...
Aguardemos pacientemente o desenrolar natural das coisas...Há que assinalar que ambas são tendencialmente mongolóides e até ambas têm filhos com essas características! Será que a segurança social podia intervir?...

sábado, 8 de agosto de 2009

Rousseau

A propósito da citação no comentário transcrito da trilogia, lembrei-me do Rosseau e sobretudo de uma pequena obra (brochura) que me foi oferecida pelo meu Pai (a quem também tinha sido oferecida, e que, na altura, me disse que o influenciou muito na vida, porque era ainda nuito novo, julgo que ainda saído do liceu). Nessa brochura não consta o nome do autor que escreve sobre a obra do Eminente Rosseau, mas sobressai da capa que se trata de uma publicação de 1905 da Biblioteca Pedagógica da EDUCAÇÃO NACIONAL. É claro que temos de analisar o texto dessa obra à luz dessa data, duma perspectiva/contextualização onde imperavam valores monárquicos misturados com os já assentes valores republicanos...
Dou imagens da capa e do 1º e últimos capítulos a seguir.


















Deambulando... e meditando

Nas minhas deambulações, escrevi no caderninho: "Li há pouco naquele livro do Eco [Eco e Jean-Claud Carrière "A obsessão do Fogo"] que Shakespeare foi traduzido para francês. Mais precisamente, o Hamlet, onde existe a célebre frase "to be or not to be, that´s the question".
Pois, refere o EDco que a tradução foi feita pelo Voltaire e que a traduziu assim: Arrête, il faut choisir e passer à l' instant/ De la vie à la mort ou de l' être au néant" (Pára, é preciso escolher e pensar de imediato/ Da vida à morte ou do ser ao não ser).
Tradução de Voltaire que não entendo. Para mais, o Eco alude a que não está nada mal. Então, a tradução literal seria diferente, porque é que o Voltaire foi tão longe... "Ser ou não ser, eis a questão". Que tem de profundo esta frase? Tudo se explica pelo contexto [em que é dita e por quem é dita].
Acrescento agora que é recisamente este contexto, na peça, que explica a frase e que não pode ter aquela tradução livre de Voltaire. Muito me admra a concordância de Eco!
A desenvolver...

Finalmente, um comentário...

(transcrição)
Já vi os teus textos e as músicas que são fantásticas. Gostei muito do texto das tuas recordações, em especial, quando dizes que viste tudo pelas persianas da janela do quarto. Foi um momento muito traumático que ficou para sempre gravadonos nossos corações.Também me recordo de, juntamente com a Mamã termos acompanhado o Papá até ao portão, ladeado pelos pides,que o levaram , a pé, até ao largo onde o fizeram subir para as trazeiras da carrinha celular preta . Chorámos muito ,foi doloroso ver aquela caminhada e tudo o que se seguiu. Mas, o nosso Pai teve sempre um comportamento exemplar marcado pela simplicidade e aceitação com que vivia a sua deficiência física , a dignidade nos modos e atitudes para com as pessoas- familia,amigos e clientes - e, no total respeito pela liberdade de pensamento dos outros, o que o tornou inesquecível na cidade de Braga . De aristocráticos, à gente mais humilde, de amigos a inimigos tenho a certeza que é , e será sempre lembrado como um Homem honrado , um profissional de primeira àgua, causídico brilhante e eloquente na barra dos tribunais , um acérrimo defensor dos princípios da Liberdade, Fraternidade e Igualdade que desde tenra idade o inspiraram na acção cívica e política contra a ditadura de Salazar. Podemos dizer ,que foi um homem do seu tempo e que o viveu, em pleno , - era elegante,sedutor,com muito sentido de humor e, socialmente, era um gentleman. É o Sr. Dr. Oliveira Braga, -a Pessoa -que permanece para a memória eterna. A política e os medíocres sempre estiveram para além dele. Não merecem ser recordados nem mencionados pelos legítimos herdeiros
de um Homem que , - citando Camões - " ... da lei da morte se vão libertando"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Alguns escritos...



Alguns escritos de meu Pai... e uma dedicatória de Aquilino Ribeiro.

Férias

Uma boa opção... www.clubmarcopolo.es ... e procurar inscrever-se no itinerário das Rias Baixas ... uma viagem pela costa galega de veleiro, passando por Finisterra...
verdadeira aventura!...